Fernanda Oliveira
Gerente de Marketing de Produto Pleno
Com 5 anos de experiência em marketing de produtos digitais, especializada em lançamentos de produtos para o mercado de consumo e tecnologia. Focada em marketing de crescimento e construção de comunidades de usuários.
Ideias que compartilho
Marketing para públicos de baixa renda e áreas remotas: por que as estratégias tradicionais não funcionam
Quando falamos de marketing de produtos para públicos de baixa renda ou que vivem em áreas remotas, a primeira tendência é aplicar as mesmas estratégias que usamos para públicos urbanos de classe média: anúncios no Instagram, Google Ads, influenciadores famosos. Mas essas estratégias quase nunca funcionam, pois não alcançam o público-alvo e não falam a língua dele. No lançamento do TeleSaúde Rural, nossa primeira tentativa foi fazer anúncios no Facebook e Instagram, mas depois de 2 semanas gastando R$ 5 mil, só tínhamos 30 downloads, e a maioria de usuários de cidades grandes, que não eram nosso público-alvo. Depois de conversar com líderes comunitários de zonas rurais de Minas Gerais, percebemos que a principal forma de comunicação dessas comunidades era o rádio comunitário e os grupos de WhatsApp das associações de moradores. Mudamos a estratégia: criamos spots de rádio com vozes de pessoas da própria comunidade, explicando como o aplicativo funcionava e os benefícios para os moradores, e enviamos mensagens para os grupos de WhatsApp com explicações simples e depoimentos de usuários reais. O resultado foi que nos primeiros 15 dias, tivemos mais de 5 mil downloads, e 90% dos usuários vieram das zonas rurais que queríamos alcançar. A lição que aprendi é que, para fazer marketing para públicos excluídos, é preciso sair do escritório, conversar com a comunidade, e utilizar os canais de comunicação que eles realmente usam, em vez de impor canais que você acha que funcionam.
Marketing para pequenos produtores rurais: como falar com um público que não usa redes sociais
Quando lançamos a campanha do Campo Direto, nosso primeiro erro foi achar que os pequenos produtores rurais usavam redes sociais como Instagram e Facebook para se informar e tomar decisões de compra. Mas depois de entrevistar 30 produtores de diferentes estados, percebemos que apenas 12% deles usavam redes sociais regularmente, e a maioria usava apenas para ver fotos de familiares, não para buscar informações sobre produtos ou serviços. A principal fonte de informação desses produtores é a cooperativa a que eles pertencem, as feiras agrícolas locais e os programas de rádio voltados para o setor agrícola. Mudamos a estratégia de marketing: passamos a fazer parcerias com cooperativas, que divulgavam a plataforma para seus associados, e criamos stands em feiras agrícolas por todo o país, onde os produtores podiam se cadastrar presencialmente e tirar dúvidas com a equipe. O resultado foi que mais de 70% dos produtores cadastrados vieram de parcerias com cooperativas e feiras, e o custo de aquisição por produtor caiu de R$ 45 para R$ 12. A lição que aprendi é que, para fazer marketing para públicos rurais, é preciso utilizar os canais de comunicação que eles realmente confiam, em vez de impor canais que você acha que funcionam.