Design centrado no usuário na saúde: por que ouvir os profissionais é tão importante quanto ouvir os pacientes

Quando falamos de design de produtos para a área da saúde, é comum focar apenas na experiência do paciente, mas os profissionais de saúde são usuários igualmente importantes, e muitas vezes são deixados de lado. No projeto Prontuário Fácil, nosso primeiro erro foi assumir que sabíamos quais eram as dores dos médicos e enfermeiros, e lançamos uma versão inicial do produto sem consultá-los.

O resultado foi que a taxa de adoção do prontuário foi de apenas 12% nos primeiros 3 meses, pois os profissionais achavam o fluxo de preenchimento complicado e demorado. Depois de perceber o erro, passamos a realizar entrevistas semanais com 10 profissionais de diferentes clínicas, observando como eles usavam o prontuário antigo e coletando feedback constante.

A partir desse processo, conseguimos identificar que a maior dor era a quantidade de campos obrigatórios desnecessários, e reduzimos o número de campos de 42 para 18, mantendo apenas as informações essenciais. Além disso, adicionamos atalhos de teclado e a opção de preenchimento por voz, que reduziu ainda mais o tempo de uso. Depois dessas mudanças, a taxa de adoção subiu para 89% em 6 meses, e os próprios profissionais passaram a indicar o produto para outras clínicas. Essa experiência me ensinou que, especialmente na área da saúde, o design centrado no usuário não é um processo opcional: é a única forma de criar produtos que realmente resolvem problemas e são utilizados no dia a dia.