Redação de conteúdo para públicos de baixa escolaridade: como evitar jargões e ser realmente acessível
Muitos redatores cometem o erro de achar que 'conteúdo acessível' é só usar palavras curtas, mas na verdade acessibilidade vai muito além disso: é preciso conhecer o público que você está falando, entender as suas dúvidas e usar exemplos do dia a dia dele. Quando comecei a trabalhar no projeto Finanças para Todos, nosso público-alvo era pessoas de baixa renda, com ensino fundamental incompleto, que nunca tinham tido contato com educação financeira.
Minha primeira tentativa de escrever um artigo sobre como sair das dívidas usava termos como 'fluxo de caixa', 'juros compostos' e 'endividamento estrutural', que eram completamente desconhecidos para o público. Depois de fazer entrevistas com 20 usuários da plataforma, percebi que eles usavam termos como 'dívida que não acaba nunca' para se referir a juros compostos, e 'gastar mais do que ganha' para se referir a fluxo de caixa negativo.
Mudei toda a abordagem: passei a usar exemplos do dia a dia, como 'se você gasta R$ 10 por dia com café fora de casa, no final do mês é R$ 300 que poderia ser usado para pagar uma dívida', e evitei todos os jargões. O resultado foi que a taxa de permanência nos artigos aumentou de 1 minuto para 4 minutos, e os usuários começaram a enviar mensagens dizendo que finalmente entendiam o que estavam lendo. Uma regra que sigo até hoje é: depois de escrever um texto, leia ele para uma pessoa que não tem nenhum conhecimento sobre o assunto, e se ela não entender nada, você precisa reescrever.