Ana Luiza Souza
Desenvolvedora Front-end Sênior
Especializada em React e React Native, com 7 anos de experiência construindo aplicações acessíveis e de alta performance para startups de tecnologia e finanças. Apaixonada por inclusão digital e mentoria de pessoas iniciantes em tecnologia, atualmente voluntária no programa Mulheres na Tech Brasil.
Ideias que compartilho
Acessibilidade não é um recurso extra: como implementar práticas inclusivas em aplicações React
Quando começamos a desenvolver aplicações web e mobile, é comum tratar a acessibilidade como uma etapa final do projeto, um 'recurso extra' que pode ser adicionado se houver tempo e orçamento. Essa visão, no entanto, não só exclui milhões de usuários, como também gera retrabalho e custos adicionais a longo prazo. Em minha experiência trabalhando no projeto Credito Jovem App, percebi que integrar práticas acessíveis desde o início do desenvolvimento reduz em até 30% o tempo de correção de bugs relacionados a usabilidade para pessoas com deficiência. Para implementar acessibilidade em React, o primeiro passo é utilizar componentes nativos do HTML sempre que possível, evitando elementos <div> para funções interativas como botões ou links. Além disso, é fundamental testar com leitores de tela reais, como o NVDA e o VoiceOver, em vez de depender apenas de ferramentas de verificação automática. No projeto Aprende Fácil Web, adotamos uma rotina de testes acessíveis a cada sprint, o que resultou em uma redução de 60% nas reclamações de usuários com deficiência visual nos primeiros 6 meses de lançamento. Outra prática que recomendo é envolver pessoas com deficiência no processo de design e testes, pois nenhuma ferramenta substitui a experiência real de quem usa a aplicação no dia a dia. Para times pequenos, existem ferramentas gratuitas como o axe DevTools e o WAVE que ajudam a identificar problemas de acessibilidade de forma rápida, mas elas nunca substituem os testes com usuários reais.
Boas práticas de acessibilidade em React Native
A acessibilidade em aplicativos mobile é frequentemente negligenciada por equipes de desenvolvimento, que acreditam que as ferramentas nativas das plataformas já resolvem todos os problemas. Mas na prática, 60% dos aplicativos mobile brasileiros têm pelo menos uma barreira de acessibilidade que impede usuários com deficiência de usá-los, segundo dados da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. No desenvolvimento do Credito Jovem App, adotamos práticas como o uso de propriedades de acessibilidade nativas do React Native, como accessibilityLabel e accessibilityHint, e testes com usuários cegos e surdos durante todo o ciclo de desenvolvimento. Uma das lições mais importantes que aprendi é que a acessibilidade não é um recurso extra: ela faz parte da qualidade do produto. Além de tornar o aplicativo inclusivo, a acessibilidade também melhora a experiência de todos os usuários: por exemplo, o contraste ajustável que implementamos para usuários com deficiência visual também ajuda usuários que usam o aplicativo sob luz solar forte, nas ruas de Salvador. No final, a taxa de satisfação geral dos usuários aumentou em 15% depois que implementamos as melhorias de acessibilidade.