Como usar dados para reduzir desigualdades: lições do projeto Educação em Números

Quando falamos de ciência de dados, é comum associar a área a projetos de lucro para grandes empresas, mas a ferramenta tem um potencial enorme para gerar impacto social. O projeto Educação em Números surgiu da minha percepção, durante um trabalho voluntário em uma escola pública de São Paulo, que muitas políticas de investimento em educação eram feitas sem base em dados concretos.

Nosso primeiro desafio foi unir dados de fontes diferentes: o Censo Escolar do INEP, dados do IBGE sobre renda por bairro e resultados do ENEM por escola, tudo isso de forma anonimizada para proteger a privacidade dos alunos. Depois de limpar e estruturar os dados, criamos visualizações interativas que mostram claramente a correlação entre investimento por aluno e desempenho no ENEM, por bairro.

O resultado foi que 12 prefeituras passaram a utilizar nossa plataforma para definir onde alocar recursos de forma mais justa, e conseguimos identificar que bairros com menor renda tinham até 3 vezes menos investimento por aluno do que bairros de classe alta. Uma lição que aprendi nesse projeto é que dados abertos e acessíveis são ferramentas poderosas para reduzir desigualdades, mas só geram impacto se forem apresentados de forma que pessoas sem formação em ciência de dados possam entender e utilizar.